SERPENTES

Escamas da cabeça das serpentes (1a parte)
 

Apresentamos aqui o esquema da 1a parte do video "Escamas da Cabeça das serpentes". Se você não assistiu a explicação no video, fica o link para poder fazê-lo: https://youtu.be/518bfZsCKSY


Legenda da foto: Azul escuro - Escamas parietais / Verde - escama frontal / Rosa - escamas supraoculares / Azul claro - Escamas préfrontais / Vermelho - Escamas Internasais / Laranja - Escama rostral

 

 

Bothrops alcatrazes - Risco de Extinção pode ser diminuído

 

 
Segundo o ICMBio, a serpente jararaca-de-alcatraz (Bothrops alcatraz) poderá sair da lista das espécies classificadas como Criticamente em Perigo (CR). Entretanto, o rebaixamento de categoria para menor risco ainda não é oficial e poderá sofrer mudanças na próxima etapa de validação, que deverá ocorrer no primeiro semestre de 2020.
 
A possibilidade de rebaixamento da espécie faz parte do resultado da Oficina de Avaliação do Estado de Conservação das Serpentes Brasileiras, coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN).


Das 414 serpentes, 28 foram consideradas ameaçadas de extinção, sendo cinco Criticamente em Perigo (CR), 11 Em Perigo (EN) e 12 Vulnerável (VU). Outras seis foram consideradas Quase Ameaçadas (NT) e 23 como Dados Insuficientes (DD). A maior parte (357 espécies) foi avaliada como Menos Preocupante (LC). Atualmente, 29 espécies de serpentes são consideradas ameaçadas de extinção, de acordo com a lista do MMA.


Segundo os especialistas do RAN, ainda é cedo para tirar uma conclusão geral sobre a situação de conservação das serpentes no país, já que o resultado poderá sofrer alterações. Ainda assim, algumas espécies sairão da lista, enquanto outras entrarão pela primeira vez. A saída de uma espécie da lista ocorre quando informações recentes, principalmente sobre distribuição, mostram que a situação dela não é tão grave como se acreditava anteriormente.

Em algumas circunstâncias a espécie não chega a sair da lista, mas tem sua categoria rebaixada para uma de menor risco, como poderá acontecer com a jararaca-de-alcatraz (Bothrops alcatraz). Essa espécie ocorre somente na ilha dos Alcatrazes, localizada no litoral do estado de São Paulo, próxima ao município de São Sebastião. Algumas ilhas normalmente têm uma população pequena de serpentes e uma distribuição muito restrita, além de serem mais sensíveis a alterações do ambiente, estando mais vulneráveis à extinção do que as espécies do continente.

Segundo os especialistas do RAN, o habitat da espécie na ilha foi por muito tempo afetado por treinos de tiros de canhão, o que eventualmente provocava incêndios na área florestal da ilha, onde a espécie pode ser encontrada. Esforços coordenados, que envolveram diversas instituições do setor público, além de ONGs e pesquisadores, contribuíram para que a Marinha substituísse essa área por outra para os treinos. Além disso, essa mobilização resultou na criação, em 2017, do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. Assim, a ilha e o habitat da espécie passaram a ser legalmente protegidos.

Fonte: ICMBio - Ministério do Meio Ambiente
 



A HERPETOFAUNA DA CAATINGA

 

A Caatinga é um bioma extremamente rico em espécies de serpentes e hoje é considerado o 4º colocado no ranking de biomas mais ricos e com maior endemismo (espécies exclusivas ou únicas) de serpentes do país. O nome “caatinga” é de origem Tupi-Guarani e significa “floresta branca”, que certamente caracteriza bem o aspecto da vegetação na estação seca, quando as folhas caem.

Atualmente são catalogadas 114 espécies de serpentes nessa região, sendo que dessas, 24 espécies são endêmicas, ou seja, só ocorrem na Caatinga.
A visão sobre a fauna de serpentes da Caatinga tem mudado ao longo do tempo. No passado, a Caatinga era considerada como uma região pobre, sem vida e de pouca importância biológica. Espécies endêmicas não eram conhecidas e o bioma era visto como uma parte pobre de outros biomas.

Estudos mais aprofundados nessa região fizeram com que a riqueza da região fosse conhecida. Dentre as serpentes peçonhentas da região pode citar as corais verdadeiras (Micrurus ibiboboca e Micrurus lemniscatus), as jararacas (Bothrops erythromelas, Bothrops iglesiasi e Bothrops neuwiedi), além da caacavel (Crotalus durissus). Dentre as não peçonhentas, encontramos cobras cipós, falsas corais, caninanas, jararacuçus do Brejo, etc.
 
Para saber mais sobre essa rica herpetofauna, adquira o livro “Serpentes da Caatinga” e assista os vídeos do Papo de Cobra no You tube.
 
 

 

O QUE TEM DENTRO DO CHOCALHO DA CASCAVEL ?




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Uma das características que mais chama a atenção nas cascavéis é a presença do chocalho na ponta da cauda e o seu barulho característico. A partir dessa observação foram criadas crendices, lendas e uma curiosidade: o que tem dentro do chocalho da cascavel que faz com que o barulho seja formado? Pedrinhas, como o chocalho de uma criança?

 

          A resposta é mais simples e direta: dentro do chocalho da cascavel não tem absolutamente nada.

Quando nasce, a cascavel possui na ponta da cauda um anel oco de queratina. Quando ela faz sua troca de pele, um novo anel cresce, mas o antigo não é descartado. Em vez disso, ele permanece na ponta do animal. Como essa troca de pele acontece de 3 a 4 vezes do ano, o chocalho vai progressivamente aumentando, pois vão se encaixando nos que vieram antes.

 

A peça da ponta do chocalho é menor porque os anéis mais antigos foram formados quando a serpente era jovem e pequena – mas o animal pode perder parte dos anéis ao longo da vida em decorrência de ataques de predadores. Ou seja, a ideia de que o número de anéis indica a idade da cobra é uma crendice.

 

Mesmo o número de trocas de pele é influenciado por questões como ambiente, saúde, idade, clima e alimentação.

 

O nome “chocalho” vem porque o som lembra muito o emitido pelo instrumento musical de mesmo nome, e é produzido pelo rápido e constante choque entre as camadas de queratina quando a cobra agita o rabo.

 

Quer ver exatamente como é um chocalho por dentro?

Nesse vídeo, eu corto um chocalho no meio e você pode ver direitinho o processo de emissão do som – https://youtu.be/HjNEwaVqlu0

 



63A temida Urutu cruzeiro

                A Bothrops alternatus, popularmente conhecida como urutu cruzeira ou simplesmente cruzeira é uma espécie peçonhenta da família Viperidae e tem esse nome porque muitos exemplares possuem uma mancha na forma de cruz no alto da cabeça.


                Seu corpo compacto com manchas na forma de gancho de telefone antigo alcança até 1,7m porem na média são animais que variam em torno de 1m.


                Vivem em áreas abertas mas também em banhados e nas matas ciliares. Podem ser encontradas nas pastagens e monoculturas de cana de açúcar e milho e ocorre nos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e nos três estados do sul do país.


                Possui hábitos terrícolas e embora possa ter atividade diurna, normalmente é encontrada a noite.


                Sua alimentação principal é composta por roedores e sua reprodução é vivípara, podendo parir até 28 filhotes.


          Como toda Bothrops, seu veneno possui ação proteolítica, coagulante e hemorrágica e o acidente causado por ela é denominado acidente botrópico. Em caso de acidente, a critério médico, deve-se administrar preferencialmente o soro específico antibotrópico ou o soro duplo antibotrópico-crotálico. A fama do animal é de que “se não mata, aleija”, algo um pouco exagerado pois as sequelas somente aparecem caso o tratamento não ocorra em tempo hábil.

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Cobra Bicuda

A Cobra bicuda, Oxybelis aeneus (Serpentes, Colubridae), é uma serpente arborícola, de coloração amarronzada, longa e delgada, características que a tornam bem semelhante a um galho seco.
 
Serpente não peçonhenta mas com dentição opistóglifa.
 
Em muitas regiões ela é também conhecida como cobra cipó Reforçando as características de um cipó, pois esse animal tem o comportamento de ficar parado e suspenso entre os galhos das árvores e se balançando com o vento que bate em seu corpo, o que lhe permite ficar bem camuflada a espera de uma presa desatenta.
 
Sua alimentação é composta principalmente por lagartos, mas também pode comer sapos e pássaros.

 

A cobra-cipó tem ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde o Arizona, nos EUA, até o sudoeste do Brasil. Ocorre em todos os estados brasileiros, exceto os da região sul.
 
 
Apesar de ser encontrada durante todo o ano, ela é mais abundante no período seco, quando as temperaturas médias são maiores e as chuvas mais escassa.
 
Essa serpente é diurna, com maior intensidade de atividade entre os 31°C e 35°C.
 
Durante seu período de atividade, esses animais usam galhos mais baixos e mais lisos para forragear, trocando de preferência durante a noite, onde preferem descansar em galhos mais altos (provavelmente para aproveitar os primeiros raios de sol da manhã para se aquecer) e mais espinhosos (que conferem maior proteção contra predadores, evitando ataques-surpresa durante seu sono).
 
A cauda é longa e é maior que 30% do seu comprimento total

Fêmeas dessa espécie são maiores que os machos. A fêmea atinge 2m enquanto o macho não ultrapassa 1,4m.  Isso pode ser resultado da pressão seletiva de carregar os ovos. Visto que as fêmeas dessa espécie podem produzir até nove ovos por ninhada.
 
Algumas histórias e crenças populares cercam esse animal. Uma delas diz que se você for mordido por uma Cobra-Cipó irá morrerá seco e esguio igual a ela! Com certeza uma crença muito exagerada para uma serpente que não é peçonhenta e não representa perigo aos humanos.
Mas talvez essa lenda tenha surgido por medo de sua boca muito escura e grande, a qual ela abre quando se sente ameaçada na tentativa de afugentar seus predadores. O fato é que essa é uma das serpentes mais abundantes que pode ser encontrada nas Caatingas.
Suas defesas são escancarar a boca, exibindo a mucosa bucal e soltar uma descarga cloacal 

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Como cuidar de serpentes em cativeiro
 

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         Serpentes são animais que desde o início da história de humanidade sempre fascinaram as pessoas, e paradoxalmente sempre as amedrontaram. Provavelmente todos nós já ouvimos lendas e relatos variados, que vão de religião, crenças variadas, mitologia e até para fins cerimoniais ou de curandeirismo.
 
            Com o passar dos anos, o conhecimento da importância das serpentes vem aumentando, seja pelo conhecimento da importância na cadeia ecológica eliminando pragas, ou pela importância do fornecimento de substâncias para produção de soro antiofídico, medicamentos como anti-hipertensivos, ou para tratamento de câncer.
 
            Até muito pouco tempo, não havia regulamentação para a criação de serpentes em serpentários de instituições científicas e de ensino. A partir do estabelecimento no Brasil do CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), conselho criado em 2008, estabeleceu-se através da Regulamentação Normativa Nº 29 de 13/11/2015 normas de procedimento obrigatório na criação de serpentes.
 
            Apesar de uma variedade de espécies que habitam diversas regiões, alguns fatores são fundamentais para a manutenção de um réptil em cativeiro: temperatura, umidade, alimentação adequada, iluminação, correta alocação (recintos, terrários e afins), higiene e cuidados veterinários profiláticos.
 
            As serpentes, assim como os demais répteis (jabutis, serpentes, cágados, lagartos e crocodilianos) são animais ectotérmicos, ou seja, são incapazes de manter a temperatura corporal constante, como fazem os mamíferos e as aves. Portanto, precisamos fornecer ao um animal um gradiente de temperatura dentro do recinto, ou dependendo do local e da forma que se cria, acesso à locais com luz e sol.
 
            Se a temperatura do corpo do animal não estiver dentro de uma zona ideal, poderemos observar algumas disfunções significativas que podem levar o indivíduo ao óbito.
            Existem no mercado diversos equipamentos adequados para o aquecimento de recintos para répteis.
 
            A luz é outro fator fundamental na vida de todos os seres, exerce influência básica e fundamental juntamente com temperatura, visto que a fonte de ambas é a mesma, o sol. Existem animais de hábitos diurnos, noturnos e crepusculares, e animais que precisam de maior ou menor grau de radiação luminosa diária, de acordo com seu bioma de origem.
           
            Podemos ter problemas se, por exemplo, tentarmos alimentar durante o dia animais de hábitos noturnos. Devemos estar atentos para oferecer quantidade e qualidade de luz aos animais de acordo com as necessidades da espécie.
 
            Serpentes podem estar sujeitas a diversas doenças. As mais comuns são pneumonia e estomatites. As serpentes com pneumonia, geralmente, se mostram apáticas, anoréxicas, apresentam dificuldade para respirar, têm corrimento nasal e apresentam desequilíbrio ao nadar. As estomatites geralmente são complicações secundárias de pneumonias ou septicemias. Podem ocorrer pela má nutrição, devido a uma deficiência de vitamina C, e quando há deficiência de aquecimento no cativeiro, contribuindo para deixar o animal vulnerável.
 
Problemas na realização das ecidizes também podem ocorrer. Algumas vezes o animal não consegue realizar a troca da pele. A isso chamamos de muda encruada. Quando isso acontece, deve-se borrifar água morna (nunca quente) no animal por alguns dias, outra indicação é mergulhar o animal em chá, morno, de camomila por 15 a 20 minutos, isso facilitará a remoção da pele em muda. Restos de pele podem ser removidos com muito cuidado pelo tratador, sempre borrifando água.
 
Na criação de serpentes, deve-se estar muito atento a Paramixovirose.  Essa doença ataca, geralmente, as jararacasjiboias e cascavéis. Ela se manifesta de inúmeras maneiras e, para diagnosticá-la, é necessário que o tratador esteja sempre atento aos animais do seu plantel, pois, em estádios avançados, todos os animais do criatório são contaminados. Os sintomas mais comuns são respiratórios e neurológicos. A serpente pode expulsar um conteúdo purulento pela glote, e geralmente apresentam tremor e perda de equilíbrio. Quando apresentam esses sintomas, já estão com indícios de óbito. É um caso complicado, pois não há tratamento, e os animais acometidos precisam ser sacrificados.
 
            Para saber mais sobre como cuidar de serpentes em cativeiro, recomendamos a leitura da RN29 do CONCEA (disponível para download na internet) e o livro “Doença dos Répteis” de autoria de Juan Carlos Troiano.

 



O acidente causado por filhote é mais grave que o causado por adulto?
 
                Ao contrário da crença popular, a picada de uma serpente filhote, seja uma jararaca ou uma cascavel, é quase sempre muito menos grave do que a picada de uma serpente adulta.

                A ideia, muito difundida de que os filhotes de serpentes peçonhentas não podem controlar a quantidade de veneno injetado é um mito que foi refutado várias vezes através de estudos científicos já consagrados.

                Mesmo admitindo que uma serpente adulta no momento do bote pode não inocular veneno em um grande percentual de vezes (o chamado “bote seco” ou picada seca”), em termos estatísticos, é mais provável que uma serpente adulta cause um acidente grave, do que uma serpente jovem.

                Em qualquer acidente por uma serpente peçonhenta, a gravidade é determinada por uma combinação de fatores de três categorias: os relacionados à serpente que causou o acidente, aqueles relacionados ao acidentado e aqueles relacionados as ações realizadas após o acidente. Nos fatores relacionados à serpente podemos citar a toxicidade da espécie da serpente que causou o acidente, o número de picadas dadas e o volume de veneno injetado. Nos fatores relacionados ao acidentado podemos citar a idade da vítima (crianças e idosos são mais susceptíveis), as condições médicas pré-existentes, a susceptibilidade alérgica e o local do corpo onde ocorreu o acidente. Nas ações realizadas após o acidente são considerados a velocidade e a efetividade dos primeiros socorros, o tempo entre a picada e o tratamento, a ação hospitalar realizada, incluindo a administração correta do soro (tipo e quantidade) e a aplicação de torniquete, ação que não deve ser nunca realizada.
 

Por que não devemos matar serpentes?
 
            O medo de serpentes é inerente a espécie humana. As crendices e a falta de informação que a maioria da população tem sobre esse animais, aumenta nosso medo. O medo faz com que a decisão aparentemente mais lógica quando se visualiza uma cobra é querer matá-la, achando que com isso estão mais seguras.

               Por mais paradoxal que pareça, perseguir uma serpente para tentar matá-la é mais arriscado e pode causar mais acidentes ainda, uma vez que o instituto da serpente é se defender e aí sim pode haver uma picada e injeção de veneno.

             Já existem dados estatísticos que é muito mais provável você ser mordido por um cachorro do que ser picado por uma serpente, e nem por isso pensamos em matar um cachorro todas a vezes que encontramos um. Claro que um leigo argumentaria: mas cachorros não são peçonhentos como as serpentes !!!! Saiba então que cerca de 10% das serpentes possuem veneno, ou seja, a imensa maioria das serpentes não completamente inofensiva para o homem. Mesmo algumas que tem veneno, ele é fraco para o homem, servindo apenas para matar suas presas, como rãs, peixes ou lagartos.

              É importante saber que todo ser vivo faz parte de uma enorme teia dentro de um ecossistema. Assim como outros animais, serpentes são predadoras e ao mesmo tempo presas. Se por um lado se alimentam e controlam a população de roedores, anfíbios e lagartos, por outro lado alimentam corujas, gaviões, garças e pequenos mamíferos. Quando predam roedores acabam por controlar o tamanho da população de roedores, por exemplo, evitando que seu grande número possa dizimar colheitas de milho ou arroz. Imagine que a simples matança de serpentes pode influenciar indiretamente na produção agrícola da sua região, fazendo que a safra seja comprometida e os preços aumentem. Com a morte das serpentes, os gaviões, as corujas e outros animais, vão diminuir sua população pela escassez de alimento, também aumentando desta forma o número de roedores.

           Além do controle de pragas, o veneno das serpentes tem uma importância enorme no tratamento de várias doenças. A partir do veneno já foram isoladas substâncias que hoje não usadas pela indústria farmacêutica na produção de remédios contra pressão alta (hipertensão), diabetes e na fabricação de colas cirúrgicas. Além disso, muitos venenos têm sido estudados visando a descoberta de substâncias poderiam ajudar no combate a vários tipos de câncer e outras doenças. Se você conhece alguém que sofra de hipertensão ou de alguma dessas outras doenças, é bem provável que o tratamento utilizado envolva um medicamento feito a partir de moléculas do veneno de serpentes. Ou seja, é possível que o veneno das serpentes já possa ter salvado a vida de algum amigo ou parente seu.

             A melhor forma de evitar um acidente com serpentes é evitar que elas sejam atraídas para perto das residências. Costumamos dizer que as serpentes são atraídas pelos “4 As”: Acesso, Abrigo, Alimento e Água. Evitando que a serpente tenha acesso a sua residência, seja no terreno ou dentro de casa; não encontre abrigos com facilidade e não tenha disponibilidade de alimento, a possibilidade de um encontro com esses animais fica mais reduzido.
O controle do acesso no terreno pode ser feito com um muro, assim como nas casas é importante verificar aberturas nos telhados, nas janelas e por baixo das portas por onde serpentes possam entrar.

            Acúmulos de material de construção, vasos, madeiras, lenha, garrafas e outros objetos no terreno possibilitam abrigo fácil para as serpentes e uma boa limpeza e organização podem ajudar.

             Como a maior parte da serpentes peçonhentas se alimenta de roedores, o acúmulo de lixo pode ser um local de atração para as serpentes, pois lá o alimento é mais garantido. Então observe de que forma você está descartando seu lixo. Verifique também se seus vizinhos e a comunidade em geral têm essa preocupação. De nada adianta você controlar seu lixo se nas redondezas existe um terreno baldio e todos jogam seu lixo lá, por exemplo.

             Medidas individuais de proteção não podem ser esquecidas. Ao andar em áreas silvestres use calçados fechados e preferencialmente botas de cano alto. Não coloque as mãos em buracos ou locais que você não tenha uma boa visão e se precisar mexer em lugares assim, use um bastão longo ao invés das mãos. Assim se houver uma serpente abrigada, ela terá possibilidade de fugir não causando nenhum acidente.

           As serpentes têm tanto medo de nós quanto nós temos delas. Portanto, em caso de um encontro a tendência das serpentes é fugir ou se manter imóvel tentando se camuflar no ambiente e passar desapercebida. É importante não tentar capturar as serpentes que forem observadas, mesmo as que pareçam inofensivas. Somente as manipule se você teve algum tipo de treinamento nesse sentido. Simplesmente ter visto alguém fazer uma contenção do animal, pessoalmente ou por vídeo, não o capacita para tal procedimento. Ensine as crianças a chamar um adulto ao avistarem uma serpente e, em hipótese alguma tentar capturar o animal. Não permita que animais domésticos se aproximem das serpentes. Muitas vezes o acidente com cães acontece porque os próprios donos estimulam o confronto.

       As serpentes possuem um papel fundamental ao equilíbrio de diversos ecossistemas. Não observar uma serpente na trilha ou perto de seu quintal, procure ver como parte do ambiente natural, como um pássaro ou um esquilo. Elas não têm nenhum interesse em nos atacar e na medida do possível vai tentar também evitar esse fatídico encontro.

          Um maior conhecimento sobre esses animais transforma o medo em respeito a natureza.

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Temperatura corporal
 
        Todos os animais necessitam regular sua temperatura para viver, porém podem fazer essa atividade de forma diferente. Todos os animais podem ser divididos em endotérmicos e ectotérmicos.

        Animais endotérmicos são aqueles que produzem um calor interno por meio de seu metabolismo, ou seja, da combustão térmica dos alimentos. Esse processo é fundamental para manter a temperatura desses animais elevada. Exemplos de animais endotérmicos são as aves e os mamíferos.
Animais endotérmicos, na sua grande maioria, possuem duas características: normalmente são homeotérmicos, ou seja, mantem sua temperatura interna constante e independente da temperatura do meio externo e normalmente a temperatura interna é maior que a externa. Embora também não seja uma regra, normalmente os animais endotérmicos são taquimetábolos, ou seja, possuem sua taxa metabólica menor quando estão em repouso e maior quando estão em atividade. Desta forma, precisam se alimentar com regularidade, impedindo que seu metabolismo caia muito, pois desta forma suas atividades seriam comprometidas. Desta forma, animais endotérmicos possuem uma grande vantagem que é ser independente dos fatores externos para manter a sua temperatura elevada, ideal para realizar suas atividades metabólicas. Por outro lado, os endotérmicos têm a desvantagem de terem que se alimentar continuamente (frequentemente várias vezes ao dia). Caso haja escassez de alimento são obrigados a ficar em inatividade, como por exemplo, os animais que entram em hibernação no inverno.

       Animais ectotérmicos regulam sua temperatura interna de acordo com o ambiente, buscando fonte de calor que possam elevar seu metabolismo e dentre estas fontes, o sol é a principal. São exemplos de animais ectotérmicos, os peixes, os anfíbios e os répteis, dentre eles, as serpentes.
Para esses animais existem duas formas de fazer a captação do calor. Eles podem se aquecer por heliotermia, ou seja, através das radiações solares e por tigmotermia, que é a captação de calor por superfícies quentes. Serpentes na natureza podem se aquecer ao sol, em áreas de pedras ou tocas onde a temperatura é mais elevada e até em águas quentes, como fazem muitas serpentes marinhas. Serpentes de cativeiro, além de podem se aquecer ao sol, também podem elevar sua temperatura por meio de placas quentes, vendidas comercialmente.

      Ser um animal ectotérmicos também tem vantagens e desvantagens. A maior vantagem é não ter a necessidade de se alimentar frequentemente. Serpentes podem ficar meses sem se alimentar, o que facilita sua sobrevivência em situações de total escassez de alimento. A grande desvantagem é que como sua temperatura corporal está diretamente ligada a temperatura do ambiente, todo seu comportamento deve ser adaptado para encontrar temperaturas ótimas no ambiente ao longo de todo o dia. Em um ambiente que haja enormes e rápidas variações de temperatura, as condições para uma serpente se desenvolver exigem maior esforço do animal.

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